OS APÓSTOLOS DE HARVEY WEINSTEIN: O LADO SOMBRIO DE UMA HOLLYWOOD DESGLAMOURIZADA

“Talvez você prefira um cavalheiro, um desses hipócritas engomados interessados em suas pernas, mas que elogiam suas ligas”. Edward Hyde (Fredric March) em O Médico e o Monstro, de 1931.

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Roscoe “Fatty” Arbuckle, Louis B. Mayer, Charles Chaplin, Lex Barker, Joe Schenck, Roman Polanski, Woody Allen, Jon Peters, Kevin Spacey, Louis C. K., James Franco e Casey Affleck.

Quando em outubro do ano passado o jornal The New York Times publicou uma reportagem em que várias atrizes acusavam o produtor de cinema Harvey Weinstein de assédio sexual e casos de estupros, parece que tinham acabado de inventar a roda. Como se em Hollywood nunca tivesse ocorrido coisas iguais e até piores. Mulheres como Angelina Jolie, Gwyneth Paltrow, Ashley Judd, Rose McGowan, Asia Argento, e mais uma infinidade delas, as duas últimas garantem que foram estupradas por ele, acusaram o ex-dono da Weinstein Company de vários abusos. O método utilizado por ele era o mesmo, quarto de hotel, desculpa para tratar de negócios e lá ele dava o bote. Aparecia do nada vestido apenas com um roupão de banho propondo uma “massagem”. Todas elas antes dos abusos já sabiam ou tinham ouvido falar das atitudes que Weinstein tinha quando ficava sozinho com as atrizes. A maioria se sentia intimidada em falar, talvez medo que ele pudesse interferir em suas carreiras. A podridão em Hollywood existe há muito tempo…

Roscoe “Fatty” Arbuckle

Talvez um dos casos mais graves envolvendo uma celebridade do mundo do cinema tenha sido do comediante Roscoe “Fatty” Arbuckle, conhecido aqui no Brasil como Chico Boia. Era para ele ter sido a figura mais popular do cinema mudo, mais até que o próprio Chaplin. Fatty era tão influente que quando Chaplin chegou em Hollywood e começou a fazer sucesso, Fatty foi ser o seu tutor. Se a tragédia que se abateu na sua vida não tivesse acontecido, em quem Carlitos teria se inspirado, já que as roupas largas usadas pelo seu personagem faziam parte do figurino de Roscoe.

Apesar de usar o apelido de “Fatty”, que significa gordão, de fato ele era gordo mesmo, mas ele odiava a alcunha, o nome abrasileirado que deram para ele não era dos melhores. Depois de uma noitada no Saint Francis Hotel, em San Francisco, regada a muito champagne e mulheres, uma das convidadas a atriz Virginia Rappe, foi atendida por médicos do hotel depois de passar mal. Roscoe “Fatty” Arbuckle foi acusado de violentar Virginia com uma garrafa, ela teve o peritônio perfurado e morreu três dias depois. Depois de três julgamentos, dos quais ele foi absolvido de todos, sua carreira acabou ali. Morreu aos 46 anos e o incidente ainda é cercado de mistério, ele sempre se declarou inocente.

Louis B. Mayer

Como não lembrar do medalhão judeu Louis B. Mayer, o pai da MGM, que adorava colocar suas jovens atrizes no “colo”, imaginando aqui, que foi nele que o Armando Bogus se inspirou para fazer o seu “Upa lá lá”, na novela Tieta. Ele tinha uma espécie de sofá-casting, várias atrizes “sentaram” no odioso sofá. Deve ser daí que surgiu o famoso “teste do sofá”, quando uma aspirante a atriz tem que se submeter a fazer sexo ou outras coisas com algum poderoso do cinema ou TV, para conseguir um papel.

O caso que mais repercutiu foi o fora dado pela atriz Judy Garland, quando ela chegou para trabalhar no estúdio tinha 15 anos, era velha demais para fazer papéis infantis e muito jovem para personagens adultos. Não tinha feito teste para nenhum papel, mas foi contratada assim mesmo. Foi então que durante uma reunião com Mayer, segundo ela, o “Deus” da MGM se sentou no sofá e mostrou suas genitálias para ela. A única coisa que lhe ocorreu na mente durante aquela situação desconfortável (ela era só uma criança, que horror!) ela apenas começou a rir. Irritado ele colocou ela para fora da sua da sala, mas não desistiu das investidas.

Durante anos ele passou a chamá-la de “pequena corcundinha”, o fora resultou em práticas constantes de assédio moral. Mas foi na MGM que ela fez um dos seus trabalhos mais conhecidos no cinema, até hoje ela é lembrada pela garotinha Dorothy de O Mágico de Oz (Wonderful Wizard of Oz, The, 1939).

Charles Chaplin

E o que dizer de Charles Chaplin, que era obcecado por garotas menores de idade (efebofilia), quando o caso vinha à tona ele se casava com as vítimas. Ele apelidou o seu pênis de “a oitava maravilha do mundo” e tinha preferência por meninas ainda virgens. Ele se casou quatro vezes e a maioria delas não passava dos 18 anos. Começou com a Mildred Harris, que queria ser atriz, quando ela tinha 14 anos se envolveu com o diretor com a promessa que faria dela uma estrela de cinema. Depois de enrolar a moça e engravidá-la foi obrigado pela mãe a se casar, na época ela já estava com 16 anos. A gravidez era mentira e eles se divorciaram dois anos depois.

Ele teria se apaixonado por Lita Gray quando ela tinha apenas seis anos, quando completou 12 já circulava no set em que Chaplin trabalhava como diretor. Tentou violentá-la uma vez em um quarto de hotel, mas quando ela fez 16 anos apareceu grávida e eles se casaram no México, depois ele sugeriu que ela cometesse suicídio jogando-se do trem. Chaplin afirmou várias vezes que  sempre detestou Gray, mas que isso não impedia de querer fazer sexo com ela.

A única que não era menor quando se casou com Chaplin foi a atriz Paulette Goddard, mas essa aqui colecionava maridos, foram quatro casamentos. Nunca foi comprovado que ela e Charlie realmente se casaram, já que ninguém foi ao casamento, não pelo fato que ninguém foi convidado, é que o boato da época é que não houve casamento. Eles apenas moravam juntos, naquele tempo um escândalo pavoroso. Assim como Chaplin, ela também foi morar e morreu na Suíça.

A derradeira Oona O’Neill, filha do dramaturgo Eugene O’Neill, ficou conhecida como Lady Chaplin, mas a história era a mesma de sempre, também queria ser atriz. Só que dessa vez ele teve que disputar ela com um dos filhos que tinha interesse em Oona também. Não houve violação sexual, apesar que durante o matrimônio ele tenha tido outros casos extraconjugais. Ela tinha 17 anos quando passou a namorar Charlie, juntos eles tiveram oito filhos. Charles Chaplin foi um dos que defendeu ferozmente “Fatty” Arbuckle durante o processo de estupro, agora sabemos que não era porque eram somente amigos…

Lex Barker

A Hollywood de hoje é conhecida por ser mais “politizada”, mas ela já teve o seu status de “glamour”, a indústria do cinema antigamente produzia as conhecidas starlet’s. Nos anos trinta Jean Harlow era a sensação, entre os anos quarenta e cinquenta Betty Grable era a platinada da Fox, Marilyn Monroe o mito sexual, título que dividia com Lana Turner, após a morte de Monroe o título entrou em desuso.

Turner que começou a carreira por insistência da mãe, que via na filha beleza suficiente para fazer sucesso. E fez. Entre filmes, casamentos e assassinatos, ela saiu inabalável quando sua filha Cheryl Crane com 14 anos esfaqueou Johnny Stompanato, mafioso que namorava com Turner. Depois de levar um fora da atriz, Stompanato passou a persegui-la e um dia invadiu a residência de Turner, depois de presenciar a mãe sendo agredida, Crane cravou uma faca no abdômen de Stompanato que morreu na hora.

Na época Lana Turner estava no apogeu, mas um pouco antes desse crime, quando Turner era casada com Lex Barker, que ficou conhecido como o substituto de Johnny Weissmuller, na série Tarzan. O enlace que durou três anos, dos quais durante todo esse período Barker estuprou Cheryl dos 11 aos 14 anos, sem Turner nunca perceber nada. Ela se separou dele por outros motivos. Barker que era de família aristocrata, falava mais de um idioma, frequentava a alta sociedade americana, mas que todos sabiam que ele era racista, antissemita e tarado sexual. Morreu aos 53 anos depois sofrer um mal súbito em sua casa.

Joe Schenck

A síndrome de Estocolmo que é quando uma pessoa depois de um certo tempo passa a ter simpatia pelo seu agressor, tem casos que vão longe demais ou simplesmente geram muitas dúvidas. Não dá para dizer ao certo qual o tipo de relacionamento entre Marilyn Monroe, então com 21 anos e Joe Schenck na época beirando os 70, tinham. O fundador da Twentieth Century Fox que num belo dia passando com o seu carro no estúdio, avista de longe aquela jovem (ela ainda não andava se remexendo como uma mola segundo o personagem de Jack Lemmon em Quanto mais quente melhor), ele pede para o motorista dá a ré e entrega seu cartão para a jovem, que lhe abre um belo sorriso. Quem pode dizer se ela já não tinha reconhecido Schenck e resolveu jogar um “charme” para a velha raposa.

Em Hollywood existe uma lenda que um ator é apenas uma boca e uma atriz é… bem tirem suas conclusões, não se pode colocar todas no mesmo barco. Uma cena que fez parte do imaginário popular é que um grande produtor de Hollywood e uma atriz sempre vão trocar favores sexuais, imagina-se uma porta sendo fechada e dentro da sala uma atriz em busca de um papel enquanto o chefão vai descendo as calças. Um pouco de mito e realidade, era assim que acontecia.

Movimentos como Me Too e Time’s Up são hoje em dia porta-voz para qualquer tipo de abuso que envolva as atrizes do cinema. E fofoca sempre foi o combustível da imprensa marrom, desde naqueles tempos, Schenck já não tinha tanta influência na Fox e ficou sabido que ele não ajudou Marilyn artisticamente, mas ela era frequentemente vista em sua mansão e batia ponto todas as tardes no seu escritório.

Roman Polanski

Depois de 40 anos da acusação e condenação do estupro de Samantha Geimer, o diretor Roman Polanski ainda é assombrado pelo caso. A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, responsável pelo Oscar, expulsou Polanski este ano, alegando que: “Não há lugar na Academia para as pessoas que abusam do status, poder ou influência de forma que viole os reconhecidos padrões de decência”, declarou um porta-voz. Mas ninguém pensou nisso quando ele foi premiado com uma estatueta de melhor diretor em 2002 pelo filme O Pianista? Ele voltou aos holofotes depois dos escândalos envolvendo Weinstein e com a repercussão internacional dos movimentos feministas Me Too e Time’s Up.

Polanski passou quarenta dias preso em 1977, e depois de fazer um acordo com o advogado da vítima se declarou culpado. Quando saiu a  sentença ele já tinha fugido para a França, impossibilitado de retornar aos Estados Unidos sob a pena de ser preso até hoje. Geimer foi convidada por Polanski para uma sessão de fotos para a revista Vogue, com autorização de sua mãe, os dois foram para a casa do ator Jack Nicholson (que não estava lá, mas Angelica Huston, namorada dele estava).

Depois de beber champagne e usar uma substância chamada metaqualona (Mandrix) oferecida pelo diretor, Polanski estuprou e sodomizou Samantha Geimer que só tinha 13 anos. Sob as leis da Califórnia é crime manter relações sexuais com menores de 14 anos. Geimer já declarou publicamente o seu perdão para Roman Polanski e depois que o caso ganhou repercussão não o impediu que o cineasta continuasse filmando.

Woody Allen

Mia Farrow “tentou” no começo dos anos noventa destruir a carreira de Woody Allen,  esse “tentou”, é que ela saiu mais desacreditada que político em época de eleição, quando levou o ex-marido ao tribunal, acusando ele de ser um pedófilo. O imbróglio que se dá até hoje, começou quando ela flagrou fotos da sua filha adotiva Soon-Yi, nua no apartamento de Allen.

Farrow demorou quase um ano para comentar o adultério de Allen, que só foi levado até os tribunais quando ela percebeu que o marido molestava a outra filha adotiva do casal, Dylan Farrow, com seis anos, Soon-Yi nunca foi filha adotiva de Allen e já tinha 18 anos quando se envolveu com ele. Ele foi inocentado pelo júri das acusações de pedofilia, mas perdeu o processo e a guarda da filha. Na época todos achavam que a carreira de Woody Allen estava fadada ao declínio, mas todos erraram, e feio, ele continuou fazendo quase um filme por ano e em 2012 levou o Oscar de melhor roteiro por Meia Noite em Paris.

A mídia não ficou assim tão do lado de Mia Farrow, sendo  que coisas do seu passado se tornaram públicas novamente. Como ela ter se casado com Frank Sinatra com apenas 19 anos, namorou e casou com o músico André Previn, marido da sua melhor amiga, Dory Previn. Até a morte do seu pai John Farrow depois de descobrir o adultério de Maureen O’Sullivan, ele sofreu um infarto fulminante quando soube do caso extraconjugal da esposa. Depois de ser traída várias vezes por John, O’Sullivan pulou a cerca com um homem quase 40 anos mais velho que ela, Mia tinha 18 anos quando isso aconteceu. A vida dela é mais confusa do que a de Woody Allen.

Dylan Farrow publicou uma carta no The New York Times em 2014, em que volta a afirmar que foi molestada por Allen quando era criança. Recentemente alguns atores manifestaram arrependimento de ter trabalhado um dia com o diretor, a publicação The Washington Post qualificou sua obra como misógina e que ele é tarado por adolescentes. Anos atrás Woody Allen declarou que pensa em sexo desde o primeiro momento de consciência.

Jon Peters

Bem antes do caso Weinstein se tornar público na mídia, outro já tinha tomado as manchetes, foi o caso do produtor e ex-cabeleireiro Jon Peters. Era um nome forte no mundo do cinema, produziu filmes como Clube dos Pilantras, A Cor Púrpura, As Bruxas de Eastwick, Rain Man, Batman (de Tim Burton), SupermanO Retorno e o recente Nasce uma Estrela, entre muitos outros.

Em 2008 ele foi processado por duas funcionárias que trabalhavam para ele, uma delas, Blanca Hernandez, acusou Peters de assédio sexual, quando ele forçadamente tentava agarrá-la e chamava seus seios de “travesseiros”!?!?. Adriana Silveira foi demitida quando ficou grávida, não dele, do marido dela, Peters não gostou da notícia e sugeriu que ela abortasse, ela se negou a fazer e por isso foi mandada embora.

Ele ficou conhecido por ter sido amante das atrizes Barbra Streisand, Kim Basinger e Pamela Anderson. O filme Shampoo (1975), com Warren Beatty foi inspirado em Jon Peters e escrito pelo renomado roteirista Robert Towne. Curiosamente, Peters não foi banido da indústria e não teve seu nome jogado na lama como outros abusadores. Sua extensa filmografia como produtor inclui filmes que estão acima da média.

Kevin Spacey

Quando ocorre um caso de abuso sexual, o que não acontece na maioria das vezes é a vítima denunciar o fato logo em seguida. O que acaba acarretando certa desconfiança sobre a denúncia ou fazendo a vítima parecer culpada. Medo, ameaça, constrangimento, muitas coisas devem passar pela cabeça de quem já passou por algo assim. Agora quando envolve uma pessoa famosa, seja ela do mundo do cinema ou de outros setores, e quando o nome exerce poder sobre outras pessoas, tudo fica mais difícil. Mesmo assim, qualquer caso deve ser denunciado, esperar passar dias, meses, até anos é combustível para que abusadores continuem cometendo seus crimes com o apoio do silêncio das vítimas. O quão poderia ter sido diferente a trajetória no cinema do ator Kevin Spacey se Anthony Rapp tivesse denunciado Spacey trinta anos atrás.

Segundo Rapp, depois de uma festa no ano de 1986, na casa do ator, ele teria tentado violentá-lo, Spacey tinha 26 anos e Anthony Rapp 14. O abuso teria acontecido depois que todos já tinham ido embora e o adolescente teria ficado no quarto de Spacey. Kevin Spacey não era ninguém em 1986, mas acusá-lo trinta anos depois, sendo que Rapp sempre foi abertamente homossexual, ele ficou “impune” durante todo esse tempo.

Quem acompanha a carreira de Spacey deve se lembrar que ele sempre esteve envolvido em casos com outros homens, como no incidente em um parque londrino anos atrás. Membros da equipe do seriado House of Cards (Netflix) aproveitaram a ocasião para acusar o ator de conduta inapropriada e tóxica no set de filmagem. Ele era visto como um predador sexual, causando incômodo durante as gravações. Atores que trabalharam com ele em Londres quando ele era diretor de um teatro, também afirmaram terem sido assediados por Spacey em troca de papéis em algumas peças.

A carreira de um dos maiores atores da sua geração, tendo ganhado duas estatuetas do Oscar, foi por água abaixo. Vários filmes em que ele estaria foram cancelados e ele foi demitido da série, que até então era um sucesso e a sua atuação era elogiada pela crítica. Se declarou gay e internou-se em uma clínica para tratar a compulsão por sexo, mas não vai apagar o que ele fez no passado. Uma mácula vergonhosa em um astro de grande talento.

Louis C.K

Até agora nenhuma produtora quis distribuir I Love You, Daddy (2017), mas não é porque o filme é ruim ou lembre a vida do diretor Woody Allen. É que todos ficaram envergonhados quando o comediante e diretor do filme Louis C.K. confessou que em 2002 se masturbou na frente de duas mulheres, Dona Min Goodman e Julia Wolov. Elas eram duas fãs do trabalho dele e foram convidadas para ir até o quarto de hotel que estava hospedado. Achando tratar-se de uma conversa banal, chegando lá elas disseram que ele perguntou se podia mostrar o pênis para elas, acharam que era uma piada, e que não passaria daquilo. Ele foi além e ficou completamente nu na frente delas.

Houve uma terceira mulher envolvida que não quis ter o nome divulgado, que garante que Louis também cometeu o mesmo ato contra ela. O mais chocante é a versão dele para a história, ele não negou, mas segundo ele, sempre achou que poderia mostrar o seu pênis para qualquer mulher, que não seria ofensivo. Abusou da confiança e da admiração que elas tinham por ele. Ele não é engraçado é um idiota confesso.

James Franco

Uma das situações mais controversas durante uma premiação deve ter sido quando o ator James Franco ganhou o Globo de Ouro de melhor ator e simultaneamente no Twitter ele era acusado de ter abusado de duas jovens. E ele ainda carregava na lapela do seu smoking um broche que simbolizava o movimento Time’s Up.

A atriz Violet Paley confessa que ele teria mandado mensagens para uma amiga dela, de 17 anos, pela rede social Instagram, convidando ela para ir até um quarto de hotel. Ela ainda lembrou que ele teria obrigado ela a fazer sexo oral nele dentro de um carro. Na mesma noite de entrega do prêmio outra atriz, Sarah Kaplan, revelou que Franco pagou apenas 100 dólares para que ela fizesse uma cena de nu em um filme seu, e que ela não poderia reclamar do valor pago pois tinha assinado contrato.

James Franco minou com a possibilidade de ser indicado ao Oscar de melhor por Artista do Desastre. Depois se desculpou pela má conduta e se disse envergonhado com o ocorrido, ligou para todas as ex-namoradas pedindo perdão, incluindo Violet, que não o perdoou. Não aconteceu nada com ele, continua ativo e trabalhando, não foi banido de nenhum filme, quer dizer, no caso dele parece que ficou tudo por isso mesmo.

Casey Affleck

Quando a atriz Brie Larson não aplaudiu Casey Affleck no Oscar do ano passado, não é que ela é mal educada, foi uma forma de protestar. Já que naquele ano se tornaram públicas as acusações que o ator enquanto dirigia o filme Eu ainda estou aqui (2010) abusou de duas funcionárias da produção. Ele se valeu do poder de diretor e teria invadido o quarto de uma delas, a diretora de fotografia Magdalena Górka, enquanto ela dormia, e teria se sentado na cama só de cueca.

A outra moça era a produtora Amanda White, que disse ter sido agarrada pelo braço por Casey e forçada a ir até o quarto de hotel onde ele estava, quando ela se negou ele a deixou trancada fora do quarto dela. Amanda revelou que outras pessoas da equipe também teriam tentado abusar dela. Cada uma delas entrou com um processo de mais de 4 milhões de dólares, mas ele fez um acordo judicial e elas retiram o processo da justiça.

Prestes a lançar The Old Man & Gun, Casey quebrou o silêncio e falou sobre o caso e declarou que: “Eu meio que saí de uma posição defensiva para um ponto de vista mais maduro, tentando procurar minha própria culpabilidade. E, depois que fiz isso, descobri que há muito o que aprender”.

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Harvey Weinstein

Não só ele tem que aprender, mas todos. Não é como Harvey Weinstein falou, que achava que podia ser como Bill Murray, que poderia se comportar “mal” e que todos continuariam lhe amando. Todos eles estão anos-luz de Bill Murray, e olha que o comediante tem lá os seus pecados furiosos, mas existe uma diferença gritante entre fazer uma coisa engraçada e ser um pervertido explorador sexual. A maioria deles usaram do cargo que ocupavam para cometer os piores casos de abusos. Esses não são os únicos envolvendo uma celebridade do cinema, tem vários, e provavelmente não serão os últimos.

Hollywood é a mais significante referência sob o cinema, produziram grandes clássicos, os maiores estúdios ainda se concentram lá, a grande fatia do que se é produzido sai de lá. O lugar tem uma história que atrai um público muito grande há anos. O cinema teve o seu antes e depois da chegada do som, depois veio a cor, o digital, mudanças técnicas ao longo de mais de 120 anos, e agora chega a mudança comportamental. Que não é técnica, mas é de caráter.

Hollywood aprendeu a não jogar mais para debaixo do tapete o lamaçal que envolve seus atores, atrizes, diretores e todos que vivem dela, suas estrelas começaram a despencar, e não foi do céu.

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