THE PUTIN INTERVIEWS

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Vladimir Putin escorregadio e sedutor para o público ocidental em documentário de Oliver Stone

Vladimir Putin: Você já foi espancado?

Oliver Stone: [para o intérprete] espancado?

Ele mesmo – Intérprete: Atacado.

Oliver Stone: Ah sim!

Vladimir Putin: Então, não vai ser algo novo, porque você vai sofrer pelo que está fazendo.

Oliver Stone: Ah, claro, eu sei, mas vale a pena. Se alguém está satisfeito com a consciência…

Vladimir Putin: Obrigado”.

 

É preciso ter muita boa vontade e simpatia pelo líder russo, pois são 4 horas de propaganda russa, sim, o documentário de Oliver Stone ( JFK – A Pergunta Que Não Quer Calar, 1991) é 100% parcial. Não é errado, mas causou muito desconforto entre os americanos quando foi lançado.

Os assuntos mais espinhosos foram deixados de lado, no mais o diretor se conformava com a primeira resposta. Deixou claro que não houve interferência por parte do governo russo nas eleições americanas, tema controverso e polêmico até hoje. Em alguns momentos ele respondia dando uma “risadinha”, mostrando desprezo ou cinismo. “Essa é uma afirmação muito estúpida. Não nos envolvemos em quaisquer ataques de hackers”, fala em determinado momento, e que eles não se metem em nenhum assunto que possa mudar o rumo da eleição de país algum. A derrota de Hillary Clinton se deu ao fracasso dela mesma e da campanha melhor de Donald Trump.

Como no diálogo acima, que é a última coisa que eles conversam, Vladimir Putin prevê que o Sr. Stone será atacado por parte da mídia americana por causa do filme. E foi. Quando Oliver Stone foi convidado para ir no talk show de Stephen Colbert, da rede CBS, o trabalho dele foi desacreditado pelo apresentador e pela plateia, que ria cada vez que Oliver Stone abria a boca. Colbert, que substituiu David Letterman na atração, perguntou se Stone confiava no presidente russo, já que ele tinha passado algumas horas com ele (as filmagens foram feitas entre 2015 e 2017), ninguém conhece ninguém em tão pouco tempo.

O diretor Oliver Stone prefere se referir ao documentário como uma oportunidade do presidente para expor o seu ponto de vista sobre questões internacionais, como política econômica, conflitos externos e internos, tomada da Crimeia, entre outros assuntos. Ele não usa o termo “anexação”, e que houve uma vontade da população de fazer parte do território russo. E que o exército estava ali apenas para resguardar a segurança das pessoas durante o referendo que desligou aquela península da Ucrânia.    

Sobre o governo de Bashar al-Assad e a guerra na Síria ele defende que os grupos terroristas que tomam o poder depois da queda de algum líder considerado autoritário, devem ser combatidos. Admite que Bashar al-Assad tenha cometido erros, não menciona quais, mas que ele sempre lutará para derrotar os extremistas.  

Mesmo repedindo que a Rússia é uma democracia, existe perseguição contra jornalistas que fazem oposição ao governo. Semana passada Ivan Golunov, jornalista da mídia independente Meduza, foi preso acusado de tráfico de drogas. Na verdade uma farsa plantada pela polícia russa. O caso gerou forte clamor na opinião pública e Vladimir Putin foi obrigado a demitir os policiais envolvidos. O controle do governo sobre os principais meios de comunicação é fortíssimo. Não é exibido nenhum conteúdo com áudio estrangeiro, os programas, filmes, documentários, são todos dublados em russo na televisão.

A comunidade LGBT é perseguida no país, o governo decretou uma lei que proibi propaganda gay para crianças. Existe um preconceito para o que eles consideram uma relação não-tradicional. É proibida a adoção de crianças russas por parte dos americanos, devido aos dois incidentes que ocorreram; uma criança russa morreu depois que o pai esqueceu ela dentro de um carro e outra foi mandada sozinha em um avião para a Rússia depois que os seus pais se arrependeram de terem adotado.

As tensões são deixadas de lado, quando Stone convida o presidente Putin para uma sessão de cinema na residência oficial, distante 30 km de Moscou. O filme escolhido é Dr. Fantástico (Dr. Strangelove or: How I Learned to Stop Worrying and Love the Bomb, 1964) do diretor Stanley Kubrick. Depois da exibição do filme, Putin leva o DVD, não ficou claro que foi oferecido como presente, ou se ele achou que era, ao ir embora ele abre o estojo e não tem nada dentro. Ele comenta que é típico dos americanos oferecer um presente vazio, rapidamente alguém da equipe corre para entregar o disco, que estava na verdade dentro do aparelho de DVD.

Algum tempo atrás durante um encontro entre empresários, um deles, Sanford Weill, perguntou ao dono do NE Patriots, Robert Kraft, se ele não gostaria de mostrar o anel do Super Bowl para o presidente russo. Kraft com toda boa vontade mostrou a joia e Putin disse que dava para matar alguém com aquilo, só que em vez de devolver o anel, ele colocou no bolsou e foi embora. O dono do Patriots não gostou nenhum um pouco da atitude do russo e pediu para que a Casa Branca desse um jeito de reaver o anel, ele foi aconselhado que esquecesse a história e falasse para imprensa que tinha dado o anel de presente. Eles não queriam gerar um mal estar com o Kremlin. Essa história não consta no documentário, mas existe uma foto de Vladimir Putin segurando o anel.  

Ele surpreendeu até o povo russo, que não sabia que ele tinha se tornado avô. E em que suas duas filhas trabalhavam, uma está no ramo da ciência e a outra na educação. Por ser ex-agente da extinta KGB, ninguém sabe onde elas moram e não existe nenhuma fotografia oficial de toda família Putina reunida. Ficou de fora do documentário, que depois do divórcio com Ludmila Putina, ele teria se casado com a ex-atleta Alina Kabaeva, e já teria cinco filhos com ela, e um filho (a) na época que morou na Alemanha, com uma espiã alemã, fatos negados por ele e pelo Kremlin. Misteriosamente ele sempre “some” de eventos públicos quando Kabaeva vai dar à luz, ela diz que nunca foi mãe. Os russos comentam que ela é a primeira-dama das sombras, outros dizem que não é das sombras, mas do subterrâneo.

Ainda que considerem que Oliver Stone foi condescendente ao filmar o documentário, é uma oportunidade para o ocidente escutar o que o presidente Vladimir Putin pensa sobre o mundo. Sem ataques ferozes de jornalistas, como foi o caso do jornalista da FOX NEWS, Chris Wallace, que no ano passado conduziu uma entrevista de 30 minutos desastrosa e desrespeitosa com Putin. Ao fim do documentário, Stone deixa para o público escolher se deve desmistificar ou não a figura do presidente. Não deixa de ser uma bela matrioska.

TRAILER DO YOUTUBE

 

FICHA TÉCNICA

The Putin Interviews  (idem, 2017)

Direção: Oliver Stone.

Gênero: Documentário e Biografia.

Roteiro: Oliver Stone.

Elenco: Vladimir Putin e Oliver Stone.

Compositor:    Jeff Beal.

País de origem: Estados Unidos.

Idioma original: Inglês e Russo com legendas em inglês.

No. de temporadas    1

No. de episódios    4

Produtor executivo: Max Arvelaiz e David Tang.

Filmagens: Moscou e Sochi (Rússia).

Cinematografia: Manto de Anthony Dod.

Produções: Ixtlan.

Distribuidor:    Canal Showtime.

Lançamento: De Junho de 12  – 15 de junho de 2017.