EL TOPO

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Exibido pela primeira vez em Fortaleza (Ceará), na Mostra de Cinema Chileno, que ocorre entre os dias 1 e 6 de agosto, na Caixa Cultural e que faz parte do 27° Cine Ceará, El Topo (1970), do diretor chileno Alejandro Jodorowsky. Narra um faroeste surrealista, que segue o mesmo caminho dos filmes de Fellini e teve seus direitos comprados pelo produtor Allen Klein, na época empresário de John Lennon, a pedido do próprio Lennon.

Diferente dos filmes do gênero, El Topo não tem preocupação com o fator histórico, nos anos 60 e começo dos 70, o western estava se modificando, até a fusão com comédia e musical foi feita, com Dívida de Sangue (1965), por exemplo. O que prevaleceu foi o que ficamos conhecendo como western spaghetti, marca registrada dos filmes de Sergio Leone e que fez muito sucesso comercial.

Esse aqui pode-se dizer que é um faroeste “filosófico”. Apesar da trama relativamente simples, o diretor transformou a história do pistoleiro sanguinário em uma alegoria divina sobre o autoconhecimento, iluminação e a busca pela fé. Cheio de referências bíblicas, como a morte e a ressurreição e a expiação dos pecados.

Decidido a eliminar com todos os bandidos do mundo, El Topo viaja pelo deserto acompanhado do “El Niño ”, para depois abandoná-lo em um mosteiro. É um desfile de guerreiros grotescos, gangues surreais e brutais, sendo que cada um deles faz parte de uma etapa pelo qual o herói têm que enfrentar.

Passando por símbolos junguianos como a água, a cor, o fogo e a purificação, nada disso foi colocado ali por acaso, tudo tem o seu propósito. A procura pelo poder o transforma em um ser egoísta, quando deixa seu filho para trás, para só depois de uma morte simbólica (muito semelhante a crucificação e ressurreição de Cristo), ele enxerga como se transformou em um ser vazio e sem rumo.

Os pecados e a vida mundana ficam no passado, se transforma em uma espécie de monge, salvador, um messias que está para salvar os aleijados, oprimidos, criaturas deformadas que viviam em uma caverna. É nesse ponto que o ex-pistoleiro se defronta com o pior dos mundos e parte para uma decisão extrema, comete autoimolação. Provavelmente uma referência ao monge Thích Quang Dú’c, que em 11 de junho de 1963 colocou fogo no próprio corpo em um protesto religioso contra o governo de Ngo Dinh Diem, que perseguia monges budistas no Vietnã.

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O filme resume ao ciclo da Vida, Morte e Renascimento e é um exercício pessoal de Jodorowsky. Narcisista  quando resolveu fazer o protagonista, pois ele já era o diretor, roteirista e compôs a trilha sonora. Mas ainda assim revela como pensavam os estudiosos daquele período. Expõem seus medos e sua inconsciência. Um artefato ímpar da história do cinema.

FICHA TÉCNICA

EL TOPO (idem,1970, MEX)

Direção: Alejandro Jodorowsky
Elenco: Alejandro Jodorowsky, Brontis Jodorowsky, José Legarreta, Man Alfonso Arau, José Luis Fernández, Alf Junco, Gerado Cepeda, René Barrera, René Alis, Federico González, Pablo Leder, Giuliano Girin Sasseroli, Cristian Merkel, Aldo Grumelli e Mara Lorenzio.
Roteiro: Alejandro Jodorowsky.
Fotografia: Rafael Corkidi.
Música: Alejandro Jodorowsky.
Produção: Juan López Moctezuma, Moshe Rosemberg e Roberto Viskin.
Duração: 125 minutos.
Idioma: espanhol.
Cor.
México (Panicas).

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