“KLAATU BARADA NIKTO!”

A escolha é simples. Juntem-se e vivam em paz ou continuem nesse caminho e encarem a destruição” Klaatu (Michael Rennie).

As atrocidades que foram cometidas durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), fizeram o homem tomar consciência, que ele, apenas ele, é o maior inimigo da Terra. Qual outra espécie era (é) capaz de jogar bombas nucleares contra seus próprios irmãos?

A paranoia em torno dos alienígenas, a conspiração do governo americano, e a vontade que o ser humano tem de destruir o outro, foi um prato cheio para o diretor Robert Wise (O Mar É Nosso Túmulo, Amor Sublime Amor, A Noviça Rebelde), lançar O Dia em que a Terra parou (1951), no ápice da Guerra Fria. Alimentou ainda mais a obsessão do americano por bases secretas do governo. Apesar de ter dirigido dois grandes musicais, tinha um carinho especial por filmes de ficção científica, ele foi o responsável pela direção do primeiro filme da franquia Star Trek para os cinemas.

O Dia em que a Terra parou (Day The Earth Stood Still, The, 1951, EUA) é considerado o primeiro filme sério de ficção cientifica feito em Hollywood. Antes o gênero fazia uma mistura de monstros no espaço, vampiros, zumbis, que acabaram recebendo o título de filmes B, não eram bem vistos pela crítica, hoje são considerados cults. O fato é que se não fosse o talento e sensibilidade de Wise, o filme teria sido mais uma produção em meio aos outros filmes de SCI-FI…

Influenciou muita gente e elevou a ficção ao conceito A. Depois veio o bem sucedido Guerra dos Mundos (War of Worlds, 1953), Vampiros de Almas (Invasion of the Body Snatchers, 1956) cheio de referências ao comunismo e a suposta “infiltração alienígena” foi dirigido por Don Siegel, Dr. Fantástico (Dr. Strangelove or: How I Learned to Stop Worrying and Love the Bomb, 1964) e 2001Uma Odisseia no Espaço (A Space Odyssey, 1968), do competente Stanley Kubrick, são clássicos do cinema até hoje.

A intervenção veio do céu, trazida por um tipo de raça alienígena e o homo sapiens assiste atônito o inesperado contato entre um pacífico ET (Michael Rennie), e o seu pouso na capital Washington D.C., bem perto da estátua do Presidente Abraham Lincoln. Klaatu trouxe consigo o robô titânico Gort (Lock Martin, debaixo de um figurino metálico de 2 metros de altura), capaz de pulverizar a mais potente arma de guerra, apenas com um raio saído do seu visor.

A nave viajou 250 milhões de milhas cósmicas pelo espaço, para uma missão de paz entre a terra e a federação dos planetas. Klaatu pede uma audiência com os principais cientistas do mundo. Como os terráqueos não são de confiar em ninguém, os militares que estavam acompanhando o pouso do amigável alienígena, disparam um tiro contra o diplomata do espaço.

Ferido ele é levado ao hospital, como não é humano, então uma bala não foi suficiente para abatê-lo, logo se recupera e foge, passando a conviver com a população. Muda o nome para Sr. Carpenter e vai morar num quarto de pensão, acaba por fazer amizade com Helen Benson (Patricia Neal) e seu filho Bobby (Billy Gray).

Ainda não existe uma fórmula que barre a compulsão humana de matar, mas Klaatu pretende mudar isso, nesse meio tempo ele conhece o Dr.Barnhadt (Sam Jaffe), especialista em física, e pede para que ele reúna outros cientistas para um evento importante, de interesse da humanidade.

Depois de recusar laços com os líderes políticos e com os generais que só sabem usar a violência como diálogo, o alienígena elabora um plano para desligar por certo tempo, todos os movimentos mecânicos da Terra (exceto os hospitais e os aviões). O título do filme começa a fazer sentido.

Como ele já tinha escolhido a comunidade científica como tradutor da sua mensagem de paz, e já tendo demostrado o seu poder, os grandes nomes da ciência internacional decidem ir até o encontro dele. Mas Klaatu é traído pelo namorado de Helen, Tom Steens (Hugh Marlowe), que avisa as autoridades onde ele estava escondido.

Encurralado, ele é morto, mas é Helen que tem a missão de desarmar o invencível Gort, para que Klaatu consiga transmitir a mensagem que o trouxe ao planeta Terra. Ela deve encontrar o robô e dizer as seguintes palavras: “Gort, Klaatu barada nitko”. Era um código para levar o corpo do alienígena para dentro da nave, para que pouco tempo depois ele retornasse à vida.

Perplexos e sabendo que Klaatu não pode ser derrotado, todos ouvem com atenção o que ele tem para dizer. O porta-voz da federação dos planetas dá um último aviso, se a violência provocada pelo homem chegar ao espaço, a Terra será destruída pelo fogo. Ou o homem evolui para melhor ou vai ser pulverizado do universo.

O filme é inspirado no conto “Adeus ao mestre” (Farewell to the master), de Harry Bates, que inclusive colaborou com o roteiro, junto com Edmund H. North. Publicado pela primeira vez na revista Astounding Science, em outubro de 1940, fez sucesso por causa do teor antibélico e da mensagem pacifista.

Onze anos depois o filme foi lançado nos cinemas com efeitos espetaculares para a época e caracterização marcante. Começa como se fosse um documentário. As pessoas se sensibilizaram com a mensagem que o filme tentava mostrar sobre a humanidade. A trilha sonora memorável assinada por Bernard Hermann e o incrível uso do teremim, conhecido como o instrumento eletrônico mais antigo que existe.

Gort foi interpretado por Lock Martin, que até então era porteiro do Grauman’s Chinese Theatre, em Los Angeles, tinha uma altura de 2,35m e só conseguia ficar entre 30 minutos e 1 hora com o traje do robô. O ator Claude Rains foi a primeira opção para o papel de Klaatu, mas por não conseguir brecha na agenda, os produtores resolveram chamar Rennie. De temperamento calmo, cujo rosto magro e anguloso, passava tranquilidade e uma suave superioridade. A estrela de voz sedutora Patricia Neal, representava a coragem feminina e o que existe de bom no ser humano.

Foi refilmado em 2008, teve uma boa bilheteria, 233 milhões de dólares, com carga grande de efeitos digitais, sem um roteiro eficiente, já que a corrida armamentista é um assunto datado, não superou o clássico feito há 65 anos.

FICHA TÉCNICA

O Dia em que a Terra parou (Day The Earth Stood Still, The, 1951, EUA)

Direção: Robert Wise.

Elenco: Michael Rennie, Patricia Neal, Hugh Marlowe, Sam Jaffe, Billy Gray, Frances Bavier e Lock Martin.

Produção: Julian Blaustein.

Roteiro: Harry Bates, Edmund H. North, baseado no conto “Adeus ao mestre”, de Harry Bates.

Fotografia: Leo Tover.

Música: Bernard Hermann.

País: EUA.

Estúdio: Fox.

P & B.

Duração: 92 minutos.

 

 

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