Nagisa Oshima

Morte e Sexo ao vivo em O Império dos Sentidos.
Morte e Sexo ao vivo, em O Império dos Sentidos.

O Erotismo no Cinema (1957) texto do famoso crítico André Bazin, ele contestava que o ato sexual jamais poderia ser consumado no cinema, pois para ele era o mesmo que se matasse de verdade em um filme policial. O cinema para Bazin era religiosamente puro,e tal ato de amor verdadeiro era incompatível com a linguagem cinematográfica. Nagisa Oshima consumou o amor incessantemente diante das câmeras, revolucionário, original e único, o Imperador do sexo transformou O Império dos Sentidos em um filme até hoje imitável, o realismo no cinema não existia antes de Oshima, essa religiosidade pragmática perseguida por Bazin cai por terra quando se trata do Império dos Sentidos,que é uma obra que não fala só de sexo ou morte é um filme sobre libertação.

Os nossos demônios são todos exorcizados depois que assistimos o filme, é um ato de purificação,os técnicos que trabalharam no filme se tornaram os idólatras da erotômana,Oshima fala que em determinado momento a única coisa que eles podiam fazer era unir as mãos e rezar,enquanto trabalhavam na polêmica produção. A esposa do ator Tatsuya Fuji aceitou o amor de seu marido pela atriz Eiko Matsuda enquanto filmavam,era a poligamia justificada.

A história tem seu pano de fundo o voyeurismo, Oshima fez disso o fio condutor do enredo,para ele todo cineasta tem dois objetivos: filmar o homem morrendo e o homem fazendo amor,para ele o cinema era vida,pois se o cinema é a vida, nada mais somos que eternos cineastas de nós mesmos.O sexo desnudo e poético que só ele até hoje conseguiu expressar nesse filme que vai carregar para sempre o título de filme infilmável. Ainda há esperança,pois eis que surgi um discípulo:Lars Von Trier, quase banido de Cannes por declarações polêmicas,reza a lenda que o seu The Nymphomaniac, desnudara o ato sexual diante das câmeras depois de 37 anos do lançamento do filme de Nagisa.Lacan já tinha dito O Império dos Sentidos é “o filme mais casto de todos”.

Nagisa Oshima 31 de março 1932- 15 de janeiro de 2013.
Nagisa Oshima 31 de março 1932- 15 de janeiro de 2013.

Nagisa Oshima vinha de uma família de Aristocratas de Kioto,estudou direito obtendo o diploma em 1954,nesse ano começou a trabalhar na Shochiku,se tornando assistente de direção de Yoshitaro Nomura,Masaki Kobayashi e Hideo Oba.Oshima também foi crítico de cinema,se interessava pelo cinema Francês e Polonês,nesse período escreveu onze roteiros.

1959 foi ano em que lançou seu primeiro filme, e marcou a sua saída da Shochiku depois de quatro filmes lançados.Virou independente e fundou sua própria produtora Sozo-Sha,tendo como sócia sua esposa Akiko Koyama,chegaram a produzir doze filmes até o fim da produtora em 1972.O sucesso veio com a consagração de crítica e público com Império dos Sentidos em 1976,uma produção franco-japonesa que o tornou célebre e respeitado em todo o mundo. Oshima morreu aos 80 anos vitima de pneumonia,na cidade Fujisawa onde vivia.

Kanedo Shindo “Quando estiver agonizante, quero que Oshima filme a minha morte”

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